4 dias de VIDA – dia 1

por | 4 agosto 2016 | 0 Comentários

Enfermeira obstétrica, Psicóloga e YouTuber. Madura, vivendo o feminino pleno, o tempo do carvalho. Com netos que provocam o impulso de amadurecimento e atualização continua. Amo os livros. Amo as cores. Amo as artes. Adoro viajar. Aprender e ensinar é minha paixão. Sou profundamente inspirada no universo das boas conversas.

 

_tomatesQuando penso em experiência radical em seguida me vem: saltar de paraquedas, voar de asa delta, revelar amor por alguém, a prática dos ditos esportes radicais em geral, fazer blog, rs…..Pois na contramão disso há dias atrás vivi uma experiência radical na…horta, nos jardins de Cullerne, em Findhorn, na Escócia.

Ve bem o que achas. Começo do começo: pra início das atividades do dia, 04 líderes e 10 voluntários fazem alongamento, apresentação de cada um(a), descrição e distribuição do trabalho e o que chamam de sintonização,  na chuva. É ou não é radical pra nós? Uma chuva fina e  intensa que não os assusta nem tira o foco do que há a fazer. Como encararias? “Oba! dia de fazer nada e esperar a chuva passar?” Pois o coordenador das atividades nos jardins de Cullerne, onde fica a horta que produz os legumes e verduras sem agrotóxico que se consome na Ecovila, “nem liga” . Lida com a natureza e suas manifestações sem briga tipo “ é o que temos pra hoje. Com chuva ou sem chuva fazemos o que precisa ser feito”. Lição 9999 recordada!!!

Lição seguinte: para as atividades glamour zero! Os “paramentos” para o trabalho são muitos, coletivos e usados há “várias gerações”,rs. Visto, dentre a oferta abundante, uma japona impermeável 2 números maior do que o meu manequim. Uma galocha por onde andaram mais de “mil pés” e luvas cinzas, marrons de terra por servirem de proteção a muitas mãos que as calçaram. Quando se vai pro círculo de trabalhadores se vê a diferença entre as brasileiras e as outras meninas: nós com tudo combinadinho,rs

Sabedores de que  teria dificuldade em fazer trabalho pesado por conta de uma lesão no ombro, uma escocesa, a Jude, em inglês, me disse para segui-la porque ela me daria um trabalho mais leve. Levou-me à estufa de cultivo de tomates orgânicos. Mostrou-me o que fazer: tirar erva daninha à mão, entre os pés de tomate. Ããã ? De joelhos….trabalho leve? Lição três recordada: a subjetividade nos faz inferir sobre o que é leve/pesado; certo/errado, fácil/difícil….

A escolha era brigar com a experiência ou encarar dando significado. Escolhi transformar o trabalho em meditação. Removendo enquanto arrancava as do canteiro, as “ervas danadinhas”,rs, da minha mente, do coração, das atitudes….E perguntava aos tomateiros sobre as lições. Sobre os aprendizados do dia. E aparentemente não acontecia nada. Eles falavam em tomatês…rs Quase no final da limpeza de um eito onde estava trabalhando me agachei mais pro lado esquerdo e um pé de tomate me beijou as bochechas. Juro! Uhuuuuu! Love? gratitude? Aqui se acredita e diz que sim. E mais ele não disse. Precisava?