Kalpana Saroj – de dalit a milionária!

por | 8 setembro 2015 | 2 Comentários

Enfermeira obstétrica, Psicóloga e YouTuber. Madura, vivendo o feminino pleno, o tempo do carvalho. Com netos que provocam o impulso de amadurecimento e atualização continua. Amo os livros. Amo as cores. Amo as artes. Adoro viajar. Aprender e ensinar é minha paixão. Sou profundamente inspirada no universo das boas conversas.

Kalpana Saroj-indiana

A história de vida de Kalpana Saroj, esta indiana da foto, contada com mais detalhes em vídeo abaixo,  pareceu-me uma saga!!! Com um andamento feliz já na idade adulta e muitos ingredientes amargos da vida real na infância e adolescência! Como toda história de dificuldades e superação poderia se transformar em livro, em filme, em seriado… por enquanto esta mulher de pouco mais de 50 anos a vive acrescentando capítulos a cada passo. E demonstrando que nada está previamente decidido se assim não o encararmos.

Do seu nascimento numa pequena cidade na Índia dentro de uma casta marginalizada, a dos Dalits (leia mais sobre os Dalits) até se tornar uma empresária famosa, se sabe da sua experiência com bulling na escola, casamento arranjado aos 12 anos, tentativa de suicídio antes dos 16 anos, ganho mensal de 1 dólar por mês, adoecimento e morte da irmã.

Este último evento moveu-a na direção de superar as limitações que experimentava, sair do desespero, encontrar-se e ao seu talento para empreender e viver a missão de ajudar outras pessoas através do trabalho. Neste momento é uma personalidade de destaque na sociedade indiana e grande empresária.

Acompanhar o desenrolar da sua história me fez recordar o que diz James Hillman, psicólogo Junguiano no livro “O Código do Ser”. Com sua instigante teoria da “semente de carvalho” sustenta que cada pessoa já nasce com uma vocação, um daimon nas palavras de Platão, que vem pra ser identificada e realizada. Kalpana o fez magistralmente.

O amigo a quem ouço antes de publicar os textos considera que nesta história de Kalpana há mais complexidade do que parece à primeira vista. Incluo suas idéias por considerá-las muito relevantes: “ela incita à ação, à resistência ante os obstáculos, e há também uma espécie de transcendência e renascimento (afinal, ela tentou o suicídio e foi salva no hospital). Ser salva me parece ter sido um evento de transcendência, ajuda divina ou algo assim, com o qual nem todas foram agraciadas. A força das adversidades era tão grande que ela havia desistido antes dos 16 anos”.

“A vida dela e seu sucesso também me parece um ponto fora da curva, de alto triunfo em condições muito adversas. Se pensarmos na sociedade indiana como um todo… quantas já morreram violentadas tentando? Quantas já morreram porque não conseguiram ser salvas no hospital? Suspeito que tenham sido muitas. O que dependeu dela realmente é forte, mas me parece que há também muita coisa que não dependeu dela, e há histórias iguais à dela que não deram certo, e não por falta de tentativa. Talvez estejamos enaltecendo a história dela justamente porque todas as outras não conseguiram ter chance de dar nisso. Mas, e aqui faço referência à complexidade que falei no início: não foi necessariamente por não tentarem tanto quanto ela, mas por adversidade mesmo. É uma história que faz ver o quão triste é a situação em que muitas pessoas estão, presas em castas, em casamentos abusivos e em outras circunstâncias que as fazem preferir a própria morte”.

“A história dela é quase como se alguém dissesse: “Olha essa situação… que tristeza, mas temos uma que sobreviveu, e foi além”. Nesse ponto, o daimon, ou sva-dharma, dela de voltar e ajudar a situação onde tantas outras histórias não estão, ou não estavam, dando certo, é lindíssima! Ela está voltando ao seu próprio cenário e baixando o nível de adversidade, e isso permite que mais pessoas nas antigas condições dela tenham chance de sair e triunfar” .

Bravo! esta pra mim, expressa na última frase dele,  é a parte que se destaca.

Vamos ao vídeo! Apresento-te abaixo e desejo que a história, as perguntas e a reflexão do apresentador Seiiti Arata inspirem e ajudem a ti mesmo, quem sabe, ou aos do teu círculo a promover todas as mudanças que almejas e pras quais não vinhas encontrando forças.