pensar “demais”

por | 12 novembro 2015 | 8 Comentários

Enfermeira obstétrica, Psicóloga e YouTuber. Madura, vivendo o feminino pleno, o tempo do carvalho. Com netos que provocam o impulso de amadurecimento e atualização continua. Amo os livros. Amo as cores. Amo as artes. Adoro viajar. Aprender e ensinar é minha paixão. Sou profundamente inspirada no universo das boas conversas.

mulher vastidão

Pensar “demais”é um problema, escuto muito…andei pensando se é minha situação…rs. Desde que ouvi pela primeira vez a expressão “pensar demais é um problema”…penso. Será?

Por enquanto re-flito que…depende. Vamos por partes às razões que consigo levantar pra relativizar o peso da expressão :

  • é da nossa natureza como seres racionais pensar;
  • é da minha natureza como alguém impulsionada pelo elemento AR, com sol, lua e ascendente em Libra, pensar, como se mão destra fosse, pra interagir com o mundo que me cerca; e pra mim alguém dizer não pensa é como dizer pra ti, que talvez reajas primordialmente de modo emocional, não sente. Funciona? Nunca funcionou…
  • depende do que significa “demais” pra ti, depende do que significa “pensar” pra ti (muito filosófico? quem sabe mereça mesmo uma boa reflexão sobre isso) e depende de como entendes “problema”;

Talvez mais do que quantificar, julgar, condenar, se possa averiguar quando esta habilidade, pra mim uma habilidade, se torna unilateral, excessiva, distorcedora da realidade e infernizadora do existir pro que É como É a cada instante.

Mais do que pensar sobre as coisas, o que nos acontece e o que fazemos em relação ao que nos acontece, possivelmente algo dissonante, seja pensar DISSOCIADO. Dissociado do  que? das emoções presentes, do intuir, das sensações corporais que nos visitam a cada momento…

Nascemos inteiros e vocacionados pra inteireza e a plenitude e a dissociação é uma fragmentação que se instala. Com a maneira como somos tratados, se fortalecendo com a maneira como o processo educacional se processa, com as experiências de vida que temos e as conclusões que vamos tirando do que cada coisa e cada acontecimento é.

Lembro de estudar e dizer que um dos desafios na vida é integrar, ou pra maioria de nós reintegrar/alinhar o pensar, o sentir e o agir. Por onde anda nossa capacidade de identificar a emoção presente, reconhecê-la, aceitá-la e inclui-la no momento da tomada de  decisão? Como psicóloga identifico que é uma dimensão pouco acessada. Quando pergunto, frente a uma situação relatada, “o que estás sentindo agora”? a pessoa me responde sobre o que ela pensa  e/ou sobre o que desejaria que acontecesse. Numa dificuldade em dar nome e sobrenome a emoção ou ao sentimento ligado à situação experienciada.

Lembro que nas relações humanas o espaço de expressão da emoção genuína, na interação com outra pessoa, costuma ser encurtado por provocar desconforto. E aí o caminho mais comum quando se ouve alguém contar algo que habitualmente interpretamos como “problema”, e se emocionar no relato, é perguntar: o que vais fazer? (pensando numa solução para o “problema” claro. E já, pra contribuir, rs, dando um conselho. Loucura!).

Entendo hoje profundamente, depois da descoberta do acesso a emoções profundas no instante em que acontecem, que tomar o atalho pensar-agir agrega sofrimento ao sofrimento. E protela qualquer possibilidade de resolução, orgânica, com prazos aceitáveis pra cada processo . Que vai variar pra cada um de nós.

O convite que me faço e que te faço é:

identifica pra onde o prato da balança pesa e busca equalizar. Manter o equilíbrio dinâmico entre pensar-sentir-agir é um bom desafio no processo de crescer e amadurecer. Um dos mais fundamentais a encarar! Acho;

abre espaço e te deixa alimentar pelo novo que nos cerca ao invés de reafirmar velhas certezas e preocupações;

re-flete ao invés de repete!