Pokemon – correr atrás do que não existe

por | 1 setembro 2016 | 6 Comentários

Enfermeira obstétrica, Psicóloga e YouTuber. Madura, vivendo o feminino pleno, o tempo do carvalho. Com netos que provocam o impulso de amadurecimento e atualização continua. Amo os livros. Amo as cores. Amo as artes. Adoro viajar. Aprender e ensinar é minha paixão. Sou profundamente inspirada no universo das boas conversas.

Pokemon-correr atrás do que não existe

Tens acompanhado a febre…a onda…a moda do Jogo Pokemon Go? tens te perguntado o que significa este movimento, agora, neste momento da humanidade? Como entendê-lo na vida? Como correlacionar com a tua vida? És um dos praticantes? Conheces alguém bem próximo que o pratica? Tenho uma reflexão inicial sobre isso que apresentei, no vídeo que publiquei no you tube, com o mesmo título deste post. Aqui apresento outros aspectos e começo pelos termos “febre”, “onda” e “moda”…

Febre… se formos pro corpo físico, é um sinal clínico de que alguma coisa está disfuncional. E representa um movimento de defesa do corpo a algo que o agride. Olhando pra ela sabe-se que o “sistema” deixou de estar saudável. E olhando pra este movimento de caçar fora de nós o que não existe o que se pode, por extensão, conceber-conhecer em relação ao “sistema” pessoal e social? Onde andamos na maior parte do tempo com nossa atenção e foco? Se formos pra outros significados da palavra se vai encontrar: ânsia de ter, de possuir. Possuir o que mesmo neste caso? Que impulso é esse de possuir (conquistar pela “caça”) o virtual?

Onda...as ondas se manifestam pela força dos ventos…ele continua soprando e acenando pra que, em havendo algo que se move fora, nos movamos. A partir de dentro, creio eu, com presença, sentido e significado. É isso que está acontecendo com esta onda? Onde está a presença quando nossa atenção está completamente voltada pra uma tela e abstraimos e nos alienamos de nós e de tudo o que nos cerca? Onde fica a consciência e em que lugar, deste lugar , se pode responder às mais relevantes perguntas da existência: “quem sou eu, de onde vim, pra onde vou”?

Moda...moda é tendência, como sabes. É criada por alguém ou grupos que a ditam. Visa influenciar um grande número de pessoas em seus gostos, opiniões e modo de agir. Influencia e altera por um tempo, até que outra onda de moda venha, o viver e sentir coletivos. Pra que aderimos? Quando aderimos? Ficamos cegos em segui-la? Somos dominados de forma absoluta e radical  por verdades, conceitos , modos que outros criaram? Como a canga se assenta em nós? Observa a posição de pescoço e a cabeça projetada pra frente e pra baixo dos que caçam pokemons. A canga possível e não real está lá. Como sabes a canga é um artefato colocada no animal pra fazer o que o condutor do boi quer. A que cangas estamos sujeitos na sociedade? A das crenças de gerações anteriores? A canga de políticas partidárias, da religião….? Como escapar de estarmos reféns? Como nos tornarmos sujeitos de escolha?

Como o fenômeno é novo e motivo de estudos e reflexões as mais variadas, inclusive as de benefício do jogo pra pessoas que estavam em isolamento, encerro com mais perguntas: nosso adulto precisa estar minimamente consciente de “coisas” que não existem e das quais ele corre atrás? Atrás, por exemplo, de felicidade quando a coloca em bens materiais, em  status, em pessoas pra completar o seu bem estar e realização? A consciência do que o fenômeno representa/espelha no seu significado profundo nos ajuda a orientar crianças e jovens adeptos?

O jogo incita: go! Vai!

Vai pra onde? Vai atrás do que? Parecem ser boas perguntas pra que cada um perceba novamente o norte e ajuste o rumo. De sua própria vida. Tens acompanhado possivelmente…que tal aproveitar e entender que o que realmente importa está “aqui e agora”?