Sulcos do tempo

por | 24 setembro 2015 | 8 Comentários

Enfermeira obstétrica, Psicóloga e YouTuber. Madura, vivendo o feminino pleno, o tempo do carvalho. Com netos que provocam o impulso de amadurecimento e atualização continua. Amo os livros. Amo as cores. Amo as artes. Adoro viajar. Aprender e ensinar é minha paixão. Sou profundamente inspirada no universo das boas conversas.

Gosto do poema “Tempo” da poetisa, filósofa, psicóloga e psicanalista Viviane Mosé,  capixaba, nascida em janeiro de 1964 e que lida com os “sulcos na pele” com leveza, inteligência e graça. Viviane fala do tempo que passa sem dilemas… sem dramas… com malícia brincante… com tiradas filosóficas à la Nietzsche…

O amigo, aquele pra quem apresento os posts antes da publicação sugere que cada um se deixe levar por tantas nuances importantes – o tempo, a vida, o corpo, a postura, a atitude, a reconciliação, etc. Num poema que tem pulso.

Que possas apreciar (abaixo do poema, um vídeo onde ela mesma o recita):

“Quem tem olhos pra ver o tempo
Soprando sulcos na pele
Soprando sulcos na pele
Soprando sulcos?

O tempo andou riscando meu rosto
Com uma navalha fina
Sem raiva nem rancor
O tempo riscou meu rosto com calma

Eu parei de lutar contra o tempo
Ando exercendo instante
(acho que ganhei presença)

Acho que a vida anda passando a mão em mim
A vida anda passando a mão em mim
Acho que a vida anda passando
A vida anda passando
Acho que a vida anda
A vida anda em mim
Acho que há vida em mim
A vida em mim anda passando
Acho que a vida anda passando a mão em mim

E por falar em sexo
Quem anda me comendo é o tempo
Na verdade faz tempo
Mas eu escondia
Porque ele me pegava à força
E por trás.
Um dia resolvi encará-lo de frente
E disse: Tempo,
Se você tem que me comer
Que seja com o meu consentimento
E me olhando nos olhos
Acho que ganhei o tempo
De lá pra cá
Ele tem sido bom comigo
Dizem que ando até remoçando”

— — —

Aqui o vídeo onde ela mesma, Viviane Mosé, o recita: